quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Não era nada.


Você já tentou se por no lugar de alguém certo? Todo mundo, que não é pré-potente o suficiente pra achar que seu ponto de vista é único, já se pos no lugar de alguém pra ver os dois lados de uma situação. E quando você não consegue, nem imagina como seja o outro lado?
Nas minhas andanças pelo mundo, vagas andanças, ou melhor, voltando do colégio pra casa eu observo muita coisa, quando não estou autistando pensando nos meus problemas pessoas, ou no meu mundo limitado eu olho em volta e tento imaginar de onde a pessoa vem e o que ela vai fazer. A pessoa que me chamou a atenção hoje não era médica, não era com certeza rica, não era com certeza pobre, não era gari, não era nada. A pessoa que cruzou o meu olhar hoje não existe, não é registrada, não é amada, desejada, não é feliz. Lá estava ele, um menino de uns seis anos de sofrimento e fome, deitado num papelão fazendo um par de chinelos velhos de travesseiro, marcas no corpo, sujeira no rosto, e o que na cabeça? Quais são os conceitos de certo e errado? O que ele pensa o que ele vive? Ele com certeza não tem conceito de lar, não sabe o que é amar, respeitar, aprendeu a dizer obrigado na marra e o, ”por favor,” necessidade, ele é menino de rua, e na rua quais são as leis? Não consegui me colocar no lugar dele, não sei de nada, o que me faz pensar que não posso então julga-lo, não posso passar por ele e sentir pena, pena seria se eu soubesse que ele é infeliz, não posso passar por ele e sentir nojo, nojo teria se eu soubesse que ele faz aquilo por que quer. É ai que a gente aprende que aquela velha frase de Sócrates nos cabe TÃO bem: “só sei que nada sei”. Nada sei sobre ninguém, ninguém sabe nada sobre mim. E isso é só um reflexo estúpido da sociedade egocêntrica, e preconceituosa, a qual posso criticar, pois além de entende-la, sou parte dela. E você, pode julgar alguém?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Você

Quando tudo vai contra o que você sempre evitou, contra o que você sempre negou, quando as coisas acontecem como todos haviam previsto você faz o que?
Eu me afundei no meio disso tudo, não sei mais onde começa e onde termina o meu amor, penso que se tornou infinitamente mais infinito, penso que com o amor ganhei o desejo e a paixão, penso que se tornou um caldeirão.
Não sei mais como agir, sei que é tão triste me tornar um objeto, mas são cinco minutos que eu penso que sou amada, que me sinto deseja por quem eu amo atordoada. Cegamente eu me entreguei, perdi os limites, joguei meu valor fora por algo que não posso controlar, esse é o preço que eu pago por amar. Fui aos céus do seu lado, uma princesa em um conto de fadas, mas foi só por um momento, agora tudo acabou. O que eu tenho são chances, é migalha de me lembrar que a gente podia dar certo, ser tudo correto. O que eu mais prezo continua não vai se perder, mas está afundado no meio do que eu sinto por você. Negada, é eu tenho talento pra tal, eu tenho um momento que define que nada vai dar certo. Se nem você, quem seria? Se não eu, quem amaria assim? Assim como?Incondicionalmente, loucamente, perdidamente, infantilmente, ardentemente, absurdamente, internamente, secretamente, cansativamente.