terça-feira, 29 de novembro de 2011

Crise de Identidade


Acho engraçado ver o meu professor de antropologia, ali todo eloqüente em cima do tablado despejando sobre nós o conceito de identidade: “Identidade pode ser definida como aquilo que atribui a um individuo um valor e um lugar na sociedade”. Acho engraçado ele falando isso para nós, jovens pós-modernos que não temos idéia de quem somos ou o que vamos fazer, quanto mais nosso papel na sociedade. Ele está ali achando que está ajudando a todos nós dando o que ele tem de melhor, seu conhecimento, quando na verdade, ele só está fazendo a gente acordar e encarar a nossa “crise de identidade”.
Às vezes seria mais fácil me definir se tivesse nascido na Belle Époque, ou antes, e dividir o cenário mundial com os gênios iluministas. Se definir parecia mais fácil, só depender de você. O sujeito iluminista é individualista e singular de uma forma fascinante. A identidade do indivíduo nasce com ele, se aperfeiçoa ao longo de sua vida, mas permanece a essência. Devia ser incrível viver em meio ao antropocentrismo, acreditando que o homem era o centro do universo... Talvez lá, no século XVIII, eu fosse apenas eu sem perder a inocência ou o romantismo ao longo do caminho.
Na modernidade talvez, minha crise de identidade não fosse tão forte, não ocupasse tanto o meu tempo e meus pensamentos. Ser um sujeito sociológico não me parece tão mal, ter a identidade definida pelo coletivo, pela sensação de pertencimento a algo maior. As cidades sendo construídos, os pensamentos políticos, a libertação de valores medíocres, a rebeldia. Definitivamente a minha época, na qual eu poderia vestir a camisa de grandes causas e lá talvez eu não fosse apenas uma menina perdida, talvez fosse: Paula, Estudante, Brasileira, Esquerdista, Progressista.
Mas não nasci em nenhuma dessas épocas, nasci aqui, na pós-modernidade aonde tudo é móvel, nada é estável e eu me modifico cada vez que pisco os olhos sem reconhecer a menina anterior. A identidade aqui não pode ser definida, depende do meio cultural que eu fui lançada, inserida e ninguém sabe me dizer quantos são, infinitos talvez seja otimista. Gosto de tudo um pouco, não gosto de tudo um pouco, gosto de gostar de tudo e de não gostar de nada. No jogo das identidades não tenho certeza de nada, a única certeza é que posso ser tudo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Guardem direitinho


Todo mundo fala de amores não correspondidos, amores impossíveis. Queria imaginar porque ninguém repara nas amizades impossíveis, nas amizades que não acontecem. Sabe? Quando por mais que você ache a pessoa legal, interessante e até admire, a amizade não flui, não acontece. Isso é a ilustração perfeita de uma frase já batida: “amigos a gente não faz, reconhece”. Deve ser verdade, porque tem laços que estão na pele, que a gente sente, e quando é assim...
Estava almoçando com um amigo outro dia, um desses que chamamos de diário ambulante, que sambem tudo ou muito sobre você, e nos tocamos de que não nos víamos há seis meses, e pior, que desde o dia em que nos conhecemos nós nos vimos três vezes até aquea tarde. Foi uma surpresa, pra nós dois, chegamos até a buscar na nossa mente outros encontros, nem que casuais como que pra explicar o que estava acontecendo ali. E não tinha como mesmo, a gente simplesmente virou aquilo, sem sentir. Em sete meses éramos amigos de berço.
Vou romantizar as coisas, vou contar uma teoria mística. Quando nós nascemos, nascemos só com um pedacinho da alma, o resto dela é milimetricamente esmiuçado e colocado dentro de outras pessoas. Quando vamos crescendo temos que achar o resto das nossas almas para que nos tornemos o que devemos ser no mundo. Os donos desses pedacinhos são sempre pessoas que nos ensinam algo, amores, professores, mas principalmente os amigos. É, é exatamente isso que sentimos na pele, a alma ardendo e identificando seu complemento ali.
Relendo o que eu escrevi, provavelmente, vou me sentir uma idiota, mas vai fazer sentido. Vai fazer sentido porque eu não tenho como explicar algumas amizades na minha vida, a forma como eu já não me imagino sem algumas pessoas, o modo como cada amigo meu se encaixa em um momento diferente que preciso deles. Quero que vocês, meus amigos, saibam que eu não quero de volta a parte da minha alma que está ai, quero que fiquem com ela porque eu não confio em mais ninguém no mundo para guardá-la, nem em mim mesma.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Uma gota de amor


Estava no metrô com o livro nas mãos, segurando casaco em uma mão e bolsa na outra, toda atolada. Comecei então a me dedicar a minha leitura da semana, um livro de crônicas do Jabor que tem o título de uma música da Rita Lee. Já li textos maravilhosos dele, que me fizeram achar que ele pensa como todos os homens deveriam pensar. Pois bem, esse livro está sendo uma mística de amor e ódio, concordo com muita coisa e tenho raiva de um saudosismo presente em todos os cantos que exalta uma época que não conheço e critica ou lamenta os comportamentos dessa época em que vivo, a única que conheço. Arnaldo que me desculpe duplamente, primeiro pela raiva de sua obra e pelo julgamento dela sem nenhuma autoridade no assunto e segundo pela intimidade acima pra evitar a repetição.
No texto “O amor deixa muito a desejar” já comecei a sentir o estômago embrulhando e uma vontade de gritar quando me deparei com a afirmação que o único amor verdadeiro são aqueles amores impossíveis. Tive vontade de sacudir o Jabor e falar: “Ei, amigão, se você não ama, me desculpa, mas se o amor verdadeiro é o amor impossível me explica o que é aquilo que eu senti!”. Tudo bem, eu tenho 19 anos, e vão me dizer que era uma paixão adolescente, mas não era. Eu amei alguém como eu nem acreditava que podia amar, amei mais que a mim mesma em alguns momentos, amei amar. Mas então pensei que ele podia estar falando de outra coisa, de amor pra vida inteira e isso não foi, não foi porque acabou, virou amizade, virou consideração e depois virou nada.
Continuei a ler, e depois de ler mais afirmações que negavam que o amor exista nos dias de hoje, que dizia que ele tinha sido extinto pela publicidade, pela produção, pelo culto ao corpo... Fiquei irritada, fiquei e não concordava com nada daquilo e levantei os olhos negando doar-lhes ao resto da leitura na tentativa de punir o autor por aquelas afirmações. Foi então que eu o vi, o amor, ele estava na minha frente em forma de gente e, por um momento, achei que podia tocá-lo.
Um senhor e uma senhora de bastante idade estavam segurando no ferro ao lado dos bancos preferências, ocupados por pessoas até mais jovens que eles que fingiam dormir e/ou não vê-los, típico. Uma parada brusca do trem fez com que a senhorinha se desequilibrasse e o senhor segurou a mão dela forte e eles se olharam. Nossa, eu nunca senti o amor tão perto de mim, senti vergonha de olhar, parecia que aquele momento pertencia só a eles, como se precisassem somente um do outro e mais nada e foi ai que veio em minha cabeça: “AHÁ, JABOR, ONDE ESTÁ SEU AMOR IMPOSSÍVEL AGORA?”.
Foi ai que o trem freou de novo e eu larguei minha batalha com o cronista no chão e segurei o casal para que eles não caíssem. Não sei por que segurei com tanta agilidade, porque eu larguei tudo para impedir que qualquer coisa acontecesse com eles... Pensando bem, acho que os segurei com medo de que Arnaldo estivesse certo, que o amor não existe mais, apesar de não concordar, tive medo de estar errada. É, foi por isso que os segurei, com medo de deixar qualquer coisa acontecer com a última gota de amor no mundo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Reinvente-se


Acho que descobri a graça da vida, da minha pelo menos. O segredo é se reinventar. Sabe o que quero dizer? Apertar um parafuso aqui, dar uma polida ali, apagar os arranhões, as marcas, deixar menos aparentes aquelas mais fundas. Tire principalmente aquele velho prego enferrujado que insiste em ficar lá.
A gente enjoa de tudo e todos, reclama de tudo e todos, quer tudo do nosso jeito. Sendo assim, mude o jeito. Mude mesmo, você é um chato. Não venha com aquelas desculpas esfarrapadas de que gosto de ser assim, exatamente como eu sou. Mentira, não gosta nada, todo mundo tem alguma coisa que não gosta. Por favor, não me interprete mal, não ache que eu sou uma hipócrita, que fico aqui diante da tela escrevendo do mesmo jeito de sempre e mandando todo mundo nascer de novo. A minha idéia é outra, a proposta é outra.
Pare de procurar felicidade no outro, pare de caçar quem te faça feliz, faça isso você mesmo. Seja feliz porque você tem o emprego que te deixa feliz, ou porque gosta do jeito que está o seu cabelo. Busque a alegria nas pequenas coisas da sua vida, e nas grandes também. Mas por favor, faça isso na SUA vida. Pare de viver a alegria do outro, pare de ser feliz somente se faz alguém feliz.
O segredo de um bom casamento não é se apaixonar sempre? Pois bem case com você mesmo, olhe pra dentro de você e mude periodicamente. Reinvente-se, critique-se, analise o melhor caminho, mude e então se apaixone pelo novo “você”. Se surpreenda com um novo visual, tenha gosto de olhar no espelho. Se surpreenda com uma nova reação. Se encante com seus gestos, se ame perdidamente.
E agora você pensa: “Olha essa louca escrevendo pra todo mundo ser ainda mais egoísta do que já é”. Procure um tratamento se foi isso que você entendeu! Quero dizer, ame coisas boas em você, ame o fato de ser capaz de fazer o bem, ame suas boas qualidades, e mude as más.
Sim, vai dar trabalho, se reinventar não é moleza, admitir que tenha defeitos... Isso é bom, é bom que você dê uma distraída dessa busca eterna por alguém que te complete. Se complete sozinho que logo se concretiza aquela velha história, aparece logo quem te acrescente.

Era óbvio


Sabe quando você se toca de alguma coisa obvia? É uma sensação estranha, a verdade esteve sempre ali, como você nunca viu? Eu me toquei que você é a pessoa mais importante da minha vida. Engraçado isso, não? Eu sempre romântica achando que esse posto ia ser dos meus amores dramáticos que você zomba. Ou, achei que ia ser dos meus pais, de praxe, o obvio. Os meus amigos, que eu chamo de família, todos tão fundamentais... Mas a única pessoa sem a qual eu não sei viver é você. Não foi sempre assim, obvio que não. A nossa criação nunca foi propensa a esse vínculo tão forte... Mas ele é, parece que quando vamos envelhecendo, ao invés da corda puir e o laço ir se desfazendo, ele fica mais forte. Você é minha válvula de escape, tudo pode estar dando errado, meu Deus, tudo, eu posso não ver mais solução pra nada que você aparece com seu velho truque. Sabe do que eu estou falando? É um poder que só você tem de diminuir todos os meus problemas, diminuir tanto que eu tenha vergonha de não saber lidar com eles. Eu sei que é seu jeito de me proteger, que quando eu estou ali vomitando as minhas angustias você sofre comigo, mas diminuir é o melhor de jeito de me dar forças para resolvê-los. Às vezes, eu acredito que você me odeie, não um ódio feroz, só uma raiva de ter que cuidar de mim quando ninguém fez isso por você. Mas quando estamos juntos da pra sentir no seu abraço que tudo, cada gesto seu comigo é um amor e talvez seja o maior que você sente e o ódio nunca podia existir com esse gesto. É idiota fazer drama, você vai estar “ali do lado”, mas esse longe perto dói muito mais. Dói porque quando eu quiser gritar e falar mal de coisas que só você me entende eu não vou poder te ligar e ir pra um bar, não vou poder receber aquele abraço que é o mais desajeitado do mundo e o mais gostoso. E a dor se mistura com medo, medo de você me esquecer, esquecer a sua garotinha aqui e o quanto ela precisa de você. Sabe, todas as crianças crescem com imagens de super heróis, jogadores de futebol, super mães ou super avós... Eu sempre tive o super irmão. Eu sempre quis ser exatamente como você ou agir de qualquer maneira que pudesse te agradar e fazer você ficar feliz comigo. Não importa o quão bobo isso seja, eu quero te contar isso pra você entender que o super homem não é nada ao seu lado.

Para: Marcelo Cosentino, meu irmão mais velho e herói.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Daquelas


Sou daquelas que admiram cidade pequena mas não resistem ao shopping. Daquelas que enchem o olho de lágrimas quando veem crianças brincando na rua e ficam loucas com um lançamento automotivo. Sou daquele tipo que ama ar puro, que daria tudo por uma cachoeira, mas reclama se esquecer a coca-cola. Sou daquelas que amam um chinelo de dedo e choram a noite sem salto alto. Sou daquelas que criticam o império da beleza e são neuróticas com gordurinhas. Daquelas super mulheres que choram na TPM. Sou daquelas que reclamam de maltratos de homem e chamam de frouxo o cara legal.Sou daquelas que criticam o machismo e se revoltam com cara que não paga conta. Daquelas que sentem saudade do tempo que homem era homem e mulher era mulher e têm horror a homofobia. Sou daquelas que quer ter carreira de sucesso e família de comercial de manteiga. Sou mulher no dia de hoje que tem tudo e não quer nada, que quer tudo e não faz nada, que é tudo e ninguém discute.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

From Paris.






O barulho do trem já me entediava, ouvia todos os dias a mesma trilha sonora. Naquela tarde a trilha sonora ilustrou aquele olhar, aquele olhar que me devorou desde o primeiro momento. Quando jogou o bilhete, eu o peguei com a paixão ardendo entre os dedos, estava fervendo de desejo. A ansiedade me fez correr atrás, até onde ele iria, já tinha me despido com os olhos, o que seria capaz de fazer com as palavras? Segui em frente, se era um jogo eu queria jogar, se era uma dança que fosse a dois. No encontro eu senti medo, será que meu passatempo ia acabar? Se o real acabasse com o virtual como eu passaria meus próximos dias de frio? Mas ele não me decepcionou, pessoalmente foi ainda melhor, os olhos com o brilho da primeira vez, me chamavam pra toca-lo. Eu quis despi-lo ali mesmo e derreter a neve com o calor do meu corpo, mas o jogo tinha que continuar. Os encontros foram recorrentes, eu ficava nervosa com o celular tocando, quando não tocava, queria viver cada minuto desse romance. Enganei-me, preguei uma peça em mim mesma. Achei que me divertia que era só um jogo, mas tinha perdido meu coração. Ele deve tê-lo guardado e não quis me devolver. Fui a casa dele buscar, mas não consegui levantar a voz, eu só queria que ele estivesse do meu lado. Nos amamos. Junto com o coração deixei a razão em sua cama, enrolada nas cobertas. Sei que ficaram lá, mas eu não quero mais pegar. Deixei pra trás e levo na mala só as lembranças e o calor nos meus lábios que ainda não passou.

sábado, 14 de agosto de 2010

Olhar cor de rosa


Decepção é uma coisa engraçada. Tá, obviamente não é engraçado se decepcionar, mas é que na verdade é nossa culpa. Bom, vou tentar explicar. É que decepção é quebra de expectativa e quem cria a expectativa somos nós mesmos. Na maioria das vezes que a gente se decepciona com alguém a frase mais dita é: “eu não esperava isso de você”. Então, é isso ai, quem NÃO ESPERAVA era VOCÊ, o cara nunca te prometeu nada, nunca te disse nada, você que achou que porque ele tivesse algumas atitudes legais ele conseqüentemente fosse uma pessoa que não faria aquilo que ele fez. Tirando os casos de promessas quebradas decepção é sempre fruto da quebra de um comportamento esperado de uma pessoa, por exemplo. Você espera que uma melhor amiga não pegue o seu namorado ou menino que você goste, mas provavelmente ela nunca te disse que não faria só que te soa tão absurdo que quando ela faz: PUF, decepção. Você espera que o seu ex-namorado não pegue ninguém na sua frente, mas provavelmente ele nunca disse que isso nunca ia acontecer, quando ele faz... BOOOM, todo mundo já sabe. É assim que funciona, e a partir disso encontrei a solução pra não me decepcionar. Não vou esperar mais nada de ninguém, não vou. Vou esperar sempre o pior de todo mundo, enxergar o mundo feio como ele é, tirar o rosa que eu via no olhar das pessoas. Olhar cor de rosa é aquilo que a gente vê no olho de quem a gente ama, quando amamos alguém vemos o olhar cor de rosa, cheio de amor e proteção. Acredite, é só o reflexo da luz, quanto mais acha que você esta protegida por alguém, mas perigo você corre.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ladrão


E u acho que deixei a porta aberta quando te conheci, e não me lembro, devo ter te dado a chave. Digo isso porque você entrou aqui, com certeza entrou aqui, posso te sentir em todo lugar. Você entrou aqui e roubou tudo. Você roubou o meu amor próprio que estava na segunda gaveta da cômoda, eu me lembro de ter deixado ali, mas eu não o encontro mais. A minha cama você revirou toda, eu consigo sentir o seu cheiro, acho que mais ninguém vai conseguir ficar ali por muito tempo, tem de você por toda a parte. Você tirou toda a atenção de mim, cada célula minha pertence a você agora e eu tinha escondido direitinho no armário do banheiro. A minha amizade estava atrás da porta da cozinha, e você levou, me diz o que procurava lá? Aposto que estava procurando coca-cola e gelo que você tanto gosta, deu sorte, eu sempre tenho uma garrafa pro caso de você voltar. Olha, estou dando falta do meu cafuné, estava aqui entre as almofadas no sofá, você tinha que deitar no sofá? Você entrou aqui e agiu como se ainda fosse dono de tudo, levou o que achou que era seu de direito. Estou dando falta do meu beijo, da minha admiração, da minha atenção... Meu Deus! Não sobrou nada, esta tudo em suas mãos. Mas quer saber? Pode ficar, fique com cada migalha minha, no final das contas foi tudo sempre seu.

sábado, 15 de maio de 2010

Meu nome é Hilário


O primeiro filho da mãe da minha his´toria foi meu avô. Que tipo de pessoa coloca o nome do filho de Juneval? O meu Pai passou a vida toda sendo chamado de Juju e, é claro, resolveu descontar em mim. Outro sem noção é o cara do cartório em que fui registrado. Um homem chega até você e pergunta: “Devo nomear o meu filho com o meu nome, feio, ou sacanea-lo com um nome sugestivo?”, ai você responde: “Da uma bela sacaneada”. Quem faz isso? Obvio que não foi exatamente assim, mas algo parecido. O fato é, eles deram boas risadas ao me registrar, ainfal, meu nome é Hilário.
Por alguma força do destino, o cara que recebe essa graça, literalmente, das duas uma: Vira um sacana ou é sacaneado. Pela minha leve revolta, percebe-se claramente o que a vida reservou pra mim. O primeiro a tirar uma com a minha cara foi Deus. Não é que o sangue bom me fez o cara MAIS SEM GRAÇA DA FACE DA TERRA? Resumo, sou Hilário e de hilário não tenho nada. Não sei nem contar piada, não sei fazer gracinha e nem bem humorado eu sou. Ca entre nós, que ser humano ficaria de bom humor se todos a sua volta rissem toda vez que chamam seu nome?
A primeira vítima foi minha professora da pré- escola. EEla estava lá, fazendo a chamada, quando deu de cara com o meu nome. Começou a rir, chorar, caiu da cadeira, esmagou uma criança e abriu a testa, e enquanto sangrava, ela ria. Depois de ser retirada por 4 homens da sala, eu ouvia seus risos pelos corredores. Nunca mais a vi.
Meus primeiros amigos no ginásio acreditaram até o dia da formatura que meu nome era apelido, eu nunca desmenti. Até que chegou o maldito dia, fui escolhido pra orador de turma, e tinha tudo pra dar certo. Quando chamaram meu nome na missa, o coroinha, que era da minha sala, percebeu que era nome, e com todos os presentes começou a rir. A diferença é que ele tinha uma vela na mão, que caiu no cabelo da professora de história, que correu e acabou colocando fogo na cortina, que era de um material frágil e colocou fogo na igreja. Não teve mais formatura.
No Ensino médio eu não tinha amigos. Ninguém falava comigo me culpando pelo acidente. Não fui mais a lugar nenhum depois que me apresentei a duas meninas em festas e uma dela foi parar no hospital após vomitar tudo que tinha no seu estomago que fiou remexido com o ataque histérico de risos.
Revoltado, aos 18 anos, resolvi mudar meu nome. Os primeiros três cartórios que procurei me deram a mesma resposta: “Seu nome é genial ! Você não pode muda-lo!”. Cheguei a conclusão que eram todos parentes do filho da mãe que me registrou. No último cartório levaram meu pedido a julgamento. Aconteceu um desastre. Quando o Juiz leu o meu nome , ele mascava chiclete. Engole chiclete, prende na garganta, prejudica a respiração, asfixia e PUF.
Estou sendo acusado de homicídio. Meu crime? Sou Hilário.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Todo Romance tem um último capítulo.


Quando se acaba um amor. Já vi milhões de pessoas escreverem sobre como se começa o amor. Já li um milhão e meio de textos sobre como é quando se está amando. Mas de verdade eu queria ler sobre como as pessoas se sentem quando estão sentindo que um amor está acabando. Elas dormem e simplesmente acordam não amando mais?
Quando o amor esta acabando, você sente que pode beijar outras pessoas e não sentirá nojo. Quando o amor esta acabando, as palavras da outra pessoa que antes te magoavam, soam como mais uma crítica sem fundamento. Quando um amor esta acabando, resta só a posse. A posse é a fase de transição entre aqueles que amaram perdidamente alguém, e que agora, amam perdidamente a si mesmos. Não dói imaginar a pessoa ficando com outro, dói imaginar a pessoa ficando com alguém melhor que você, ou pior ainda, alguém melhor do que a pessoa que esta com você. Quando o amor esta acabando se lembram das coisas ruins, e as boas ficam longe na memória. Quando o amor esta acabando o beijo dele não é tão doce. Quando o amor esta acabando você sabe que o amor debaixo das cobertas virou sexo.
Depois que o amor acaba a saudade aperta, o choro desce, o sofrimento toma a nós. Não porque ainda amamos, o amor acabou, mas porque sentimos falta de amar. Sentimos falta daquilo que ocupava todo o espaço livre dentro de você, sentimos falta daquela parte enorme de nós que o amor virou. Quando o amor acaba uma parte de nós morre, uma parte tão bela, que só quem nós amamos conhece, e esse, vai ser o segredo eterno dos amantes.