
Acho engraçado ver o meu professor de antropologia, ali todo eloqüente em cima do tablado despejando sobre nós o conceito de identidade: “Identidade pode ser definida como aquilo que atribui a um individuo um valor e um lugar na sociedade”. Acho engraçado ele falando isso para nós, jovens pós-modernos que não temos idéia de quem somos ou o que vamos fazer, quanto mais nosso papel na sociedade. Ele está ali achando que está ajudando a todos nós dando o que ele tem de melhor, seu conhecimento, quando na verdade, ele só está fazendo a gente acordar e encarar a nossa “crise de identidade”.
Às vezes seria mais fácil me definir se tivesse nascido na Belle Époque, ou antes, e dividir o cenário mundial com os gênios iluministas. Se definir parecia mais fácil, só depender de você. O sujeito iluminista é individualista e singular de uma forma fascinante. A identidade do indivíduo nasce com ele, se aperfeiçoa ao longo de sua vida, mas permanece a essência. Devia ser incrível viver em meio ao antropocentrismo, acreditando que o homem era o centro do universo... Talvez lá, no século XVIII, eu fosse apenas eu sem perder a inocência ou o romantismo ao longo do caminho.
Na modernidade talvez, minha crise de identidade não fosse tão forte, não ocupasse tanto o meu tempo e meus pensamentos. Ser um sujeito sociológico não me parece tão mal, ter a identidade definida pelo coletivo, pela sensação de pertencimento a algo maior. As cidades sendo construídos, os pensamentos políticos, a libertação de valores medíocres, a rebeldia. Definitivamente a minha época, na qual eu poderia vestir a camisa de grandes causas e lá talvez eu não fosse apenas uma menina perdida, talvez fosse: Paula, Estudante, Brasileira, Esquerdista, Progressista.
Mas não nasci em nenhuma dessas épocas, nasci aqui, na pós-modernidade aonde tudo é móvel, nada é estável e eu me modifico cada vez que pisco os olhos sem reconhecer a menina anterior. A identidade aqui não pode ser definida, depende do meio cultural que eu fui lançada, inserida e ninguém sabe me dizer quantos são, infinitos talvez seja otimista. Gosto de tudo um pouco, não gosto de tudo um pouco, gosto de gostar de tudo e de não gostar de nada. No jogo das identidades não tenho certeza de nada, a única certeza é que posso ser tudo.









