segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mágico




Dia de jogo do Brasil é sagrado, dia de jogo do Brasil na copa é uma espécie de ritual mágico, nada se compara. Estava tudo pronto, a rabanada de jogo, os bonequinhos com a camisa da seleção enfileirados em ordem numérica em cima da televisão, a bandeira do Brasil forrando a cama da Pretinha. E o mais importante a Pretinha em cima da bandeira para dar sorte, cachorros não gostam muito de ficar na mesma posição por muito tempo, então tive que amarra-la. Mas o mais importante era que tudo ficasse do mesmo modo que a final do penta campeonato.
Faltavam apenas 20 minutos pro jogo, e eu já estava na posição correta, para não perder o hino. O telefone toca.
- Tia Clovis quanto tempo
- Não, sem namorada.
- Não eu não sou virgem aos 25 anos.
- Não, eu não gostaria de falar sobre isso agora.
- Morreu? Mas que pe...
- Você está feliz?
- Ele matou seu cachorro?
- Tia a senhora teve alguma coisa com isso?
- NÃO DIRETAMENTE?
-Mandarei beijo pra minha vó...
A Tia Clovis era a minha tia que eu não gostava. Ela é o tipo de tia gorda com nome de homem que sempre como toda a comida no Natal e chora dizendo que a família é linda. Eu acabei perdendo a chamada com a escalação da seleção então tive que me levantar e ir até a cozinha pegar o caderninho de telefones pra ligar pro Zé e perguntar tudo. Foi ai que tudo começou.
Procura o caderno. Está na gaveta de facas, corta a mão. O jogo começa. Sai correndo pra pegar o pano. Lúcio faz um cruzamento perfeito. Escorrega, bate na mesa. Kaká dribla dois e da uma enfiada de bola. A torta, em cima da mesa, cai no chão. Contra-ataque intenso. Tenta limpar a torta, lembra que a mão está sangrando. Bola na nossa trave.Toca a campanhinha, é o vizinho reclamando dos latidos da Pretinha, vê a mão e sai correndo. Dá uma espiada na TV. Volta pra cozinha. A pretinha fugiu e está lambendo a torta. Tenta tirar. Cartão Amarelo pro Kleberson. Suja o cachorro de sangue e torta. Falta próxima a área. Corre pro lugar sagrado. Goleiro deles defende. Alguém bate na porta. É o Ibama.
- Recebemos a denúncia de quem um homem aqui esta tentando matar um cachorro. – Olha pra mão.
-Não é o que o senhor está pensando...
A pretinha aparece toda suja de sangue.
- O senhor vai ter que vir conosco e dar uma explicação.
Fim do primeiro tempo.
Telefone toca.
- Oi Tia Clovis.
- Não, eu não vi o jogo...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Mil em uma (Parte 4)


A ligação de Luck foi bem melhor do que eu esperava, ele nem levantou o tom de voz, ele manteve a voz máscula e grave que ele tem, perfeita como todo o resto, durante toda a conversa. Ele apensa disse
- Anne Allen, precisamos conversar sobre essa caixa, ok?
- Eu posso expli... – sussurrei
- Olha, eu espero realmente que você possa, porque a minha mãe esta bem chateada com você, ela pensa que você vai transformar nossa casa em um motel. – ele disse apático
- Você sabe que não é nada disso, você me conhece mui...- tentei manter firmeza
- Conheço? Eu também pensava nisso antes de ver essa caixa. Podemos conversar mais tarde?
- Claro.
- Olha, não pense que eu sou careta, mas se você acha que precisamos melhorar as coisas, se eu não estou mais te agradando, você podia ter bem... Te pego as 8, certo?
-Tudo bem – ele desligou, sem nem um beijo de despedida, eu estava, pra variar um pouco, muito encrencada.

Resumo rápido do que eu ia enfrentar no próximo mês-
-Um discurso de oradora de turma, que bem, e uma tradição no meu colégio a 60 anos. Estou ferrada.
- Meu namorado me dando um pé na bunda depois que achar que eu sou uma pervertida sexual. Porque eu sigo conselhos de revista?
- Minha arquiinimiga tentando roubar Luck de mim, e conseguindo.
- Minha falta de tempo de ler livros, ou antidepressivos, porque vou estar pirando por causa do vestibular.
- O vestibular.
- O banho do Sam, um São Bernanrdo de quase 80 quilos.
Alguém pode me responde como uma menina de 17 anos, que mora com os pais em uma cidade de 3 mil habitante Poutchester, tem uma mãe totalmente fascinada por limpeza e organização e um pai que passa a maior parte do tempo em sua loja de animais, pode resolver todos esse problemas? Ainda mais quando ela tem um namorado simplesmente perfeito e gostoso, moreno, com o tom de pele dourado perfeito desconcentrá-la de tudo?
Eu não tenho a menos idéia, eu só sei que nesse momento tenho que adicionar a minha lista de problemas o inicio da semana de provas, daqui a 5 dias. Mais uma vez, Obrigada Universo, eu não sei o que faria se as coisas fossem mais fáceis(acho que agradeceria com um sacrifício aos astros ou algo assim). Mas acho que sei alguém que tem, vou ligar pra Cate, ela sempre tem uma boa idéia.
Cate era minha amiga desde sempre, tínhamos outros amigos e claro, as pessoas as vezes nem sabiam que era ela minha melhor amiga, mas nos duas nos entendíamos muito bem. Ela era um pouco mais alta que eu, morena, tinha os olhos mais verdes que eu já havia visto em toda a minha vida, e Cate era linda, a não se pelo fato de que odiava super-produções, então ela sempre acabava com o jeans e a camiseta branca, sem graças. Como tudo acabava vestindo perfeitamente em Cate que era tão magra quanto uma super-modelo, era bom que ela so usa-se o básico, se não eu seria apaga totalmente por sua beleza e Luck nunca teria me notado.
Cate acha que tudo na vida e fantástico e feliz, ela diz sempre que eu aumento demais os problemas. Mas, hello, o mundo podia cair na minha cabeça, e esmagá-la com toda a forca e crueldade que a gente vê em filmes de terror, a qualquer momento. Por isso que quando eu liguei pra ela, Cate disse apenas
- Ann, eu às vezes acho que você vai explodir de tantas besteiras.
- Cate, eu vou REALMENTE explodir se você não me ajudar, o que eu vou falar pro Luck?
- Diz a verdade, que você acha que vocês estão passando por uma crise, meu deus.
Pra Cate tudo esta na base do falar a verdade, pra ela sempre dava certo, quando ela disse pros pais que queria fazer faculdade de biologia e ir trabalha no Greenpeace sem remuneração, eles concordaram achando legal ela querer mudar o mundo.
- Escuta Ann, se você simplesmente não que falar nada sobre crise, apenas diga que pensou que ele ia gostar, mas se não for o caso você vai devolver a tralha toda, e da um beijo nele antes que ele possa concordar ou não.
- Isso e uma boa idéia. Mas você tinha que ver o jeito que ele falou comigo, foi tão... - eu parei a minha fala na hora.
Eu não podia mais falar, a minha boca ficou escancarada quando eu olhei para a porta do meu quarto, Melissa estava parada ouvindo toda a minha conversa, minha vida estava arruinada, quer dizer, mais ainda.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mil em uma (Parte 3)


Eu vou contar minha historia de amor com Melissa Vander...
Melissa Vander é uma puta. Ta, vou me controlar pra contar essa historia. Sabe quando dois pais são amigos e eles querem fugir das esposas? Eles pegam as Filhas da mesma idade e levam no carro dizendo que vão todos pescar. Meu Pai, Eric Allen, fazia isso com a minha amada mãe, Susan Thompson Allen, como ela fazia questão de ser chamada porque, de acordo com ela, ela não largou sua família, nem mudou de identidade.
Meu pai era amigo do pai de Melissa, o senhor Vander era um amor de pessoa, sempre me enchia de chocolates mas ele sempre ia com a gente pros dias chatos de pescaria. Sempre que meu pai me colocava roupas valhas e me levava pra pescar, nunca entendi com alguém aprende a pescar brincar de boneca, mas ele dizia que eu estava indo muito bem sempre que fiava caladinha na beira do píer enquanto ele jogava a vara e tomava cerveja. Melissa também sempre estava la, com as bonecas dela, que eram sempre iguais as minhas, mas ela dizia que as dela eram mais bonitas, e como eu sempre fui loira, eu acreditava. Ela dizia que pra ficar mais bonita, eu tinha que cortar o cabelo dela, e bem, ficava parecendo o boneco assassino, e eu acabava chorando.
Resumindo, a minha vida inteira foi assim, mesmo que nos fossemos extremamente parecidas, menos pelo fato de eu ser loira de olhos esverdeados e ela morena de olhos azuis, nos tinhas o mesmo corte de cabelo, o mesmo manequim, e ela sempre me fazia sentir pior. Ela era do grupo de pessoas que tem um altar, ela andava com as pessoas que deveriam ser oradoras no meu lugar, tinha o namorado desejado por todas, Ryan Park, fumava e bebia nas melhores festas da cidade, mas mesmo assim ela sempre se lembrava de me atormentar, ela gostava disso.
Nosso baile de oitava serie, era uma espécie de festa de formatura, mas nos formando no ensino fundamental nos poderíamos apenas trabalhar como faxineiros qualificados, foi o pior dia d aminha vida, por causa dela. Eu tinha comprado o vestido perfeito, ele era azul marinho e tinha o caimento perfeito na minha cintura um pouco cheia, que eu vi em um site que são bordas de catupiry gostosas.
Mas Melissa Vander foi a minha casa com os pais um dia antes do baile e quando viu meu vestido, que a minha mãe tagarela fez questão de mostrar, ela riu, e não com aquela graciosidade e educação que as pessoas riem quando elogiam algo, ela riu como se eu fosse ser a menina mais feia no dia seguinte. Eu sou uma idiota, e chorei tanto que fiz a minha mãe trocar o vestido. Eu fui de preto, um tubinho sem graça que eu achei sexy na hora que o coloquei, ate chegar ao baile. Melissa estava com o MEU vestido, estava com o vestido que eu tinha mostrado a ela na noite anterior e todos estavam babando por ela, ate o meu futuro, eu não namorava Luck nessa época, namorado porque quem eu já era loucamente apaixonada.
Luck a convidou pra dançar e a minha melhor amiga em todo mundo, Cate Woodstok, ficou a noite toda limpando a minha maquiagem e contanto piadas sobre macacos para tentar salvar a minha noite. Não deu certo, obviamente, então ela fez o que toda melhor amiga faz, tomou um porre comigo e nós dançamos como galinhas no palco do salão. O que, é claro, foi comentado em toda a cidade.
Melissa Vander e um pesadelo, ela arruinou meu primeiro baile, meu cabelo, no primeiro ano do ensino médio com a tesoura dela que acidentalmente cortou um pedaço do meu cabelo loiro, minhas roupas no ginásio, minhas bonecas na infância. A única coisa que Melissa Vander não tinha arruinado, nem conseguido estragra na minha vida, não que ela não tivesse tentado, mas de alguma forma Luck a ignorava, era o meu namoro. Talvez agora com Luck recebendo uma caixa de sexy shop sem uma explicação com o meu nome, ele perceba que cometeu um grande erro ao começar a namorar uma gorda paranóica com muitos problemas e agora, louca por sexo, ela consiga fazer ele entender que ela é melhor que eu.
Minha vida e tão fácil, principalmente com minha arquiinimiga Melissa por perto pra sempre me dar mais diversão, que eu fico lisonjeada. Obrigada universo, por ir sempre contra mim, muito obrigada.

Mil em uma (parte 2)


Eu corri ate o meu quarto e me enfiei embaixo das cobertas, e elas são muitas, na esperança de que elas virassem uma capa de ferro super-protetora contra mães assassinas e, dependendo da conversa, canibais. Foi nesse momento, enquanto eu rezava para que nunca me tirassem dali, que minha mãe entrou no quarto e começou a gritar.
– Anna! Ann (como ela me chama quando eu faço coisas boas como dar banho no Sam, o nosso pequeno são bernardo) você é incrível ! Parabéns meu amor, estou tão orgulhosa de você! Eu não sabia que tinha uma filha tão talentosa, e bem, tão bem aceita por todos, você e perfeita querida!
- Ahn? Mãe, você esta louca? Você não vai me matar ou algo assim? Quer dizer... Eu não sei se você sabe o que eu estava fazendo exatamente, mas... – eu comecei a gaguejar perplexa com a falta de bronca que eu estava levando.
- Querida, a Sra Vegans acabou de ligar, e adivinha? – eu estou ferrada? – Você foi escolhida como oradora da sua turma, em unanimidade, por alunos e professores! Os alunos disseram que ninguém escreveria e falaria da turma melhor que você, e os professores alegaram que não há uma aluna mais bem entrosada que você. Estou tão feliz!
O que??? Oradora de turma? Era por isso que a senhora Darth Vader tinha ligado? Mas eu não havia me candidatado a nada! Unanimidade? Ok onde estão as câmeras? Elas tem que estar em algum lugar. Me enganaram direitinho.
- Ann, meu amor, você esta me ouvindo? Luck acabou de ligar, um pouco antes de você entrar pela cozinha daquele jeito, ele quer falar com você sobre um pacote ou algo assim.
Não tinha câmera nenhuma. Tudo bem, eu posso aceitar o fato de que não sou impopular, eu tenho alguns amigos, vários ate, alguns deles ate são daquele grupo que pessoas das series abaixo constroem altares, mas eu nunca fui uma dessas pessoas. Anna Allen sempre foi falante e inteligente, mas nunca um símbolo, eu nem fala com pessoas de fora da minha turma, quero dizer, eu sabia que elas sabiam quem eu era, e eu sabia o nome de muitas delas, mas a minha relação e ciclo de amizades acabava no fim da 301.
Eu não sei como isso aconteceu, eu sei que eu estava gostando disso, e muito. No fim das contas, a verdade e que eu adoro falar em publico, adoro mostrar a minha opinião, e gosto mais ainda quando minhas idéias agradam as pessoas, e eu ia poder fazer isso, mostrar o que pensava de todos os meus anos acadêmicos naquele colégio, ia ser bom.
Vou adicionar a minha lista de problemas, escrever um discurso perfeito. Eu gostaria, sinceramente, de entender porque o universo sempre se volta contra mim, e como se eu fosse uma jogadora de basquete, arremessa um problema pra mim. Eu sou péssima e basquete e pior ainda em resolver problemas.
Por falar em problemas, vem mais por ai, Luck vai me ligar agora, e ele provavelmente vai falar sobre um pacote com fantasias não muito normais que eu comprei hoje na minha fuga escolar. Meu namorado gostoso e moreno vai achar que eu sou um gorducha tarada, perfeito. As vezes eu acho que eu tenho um talento especial, eu pioro todas as situações quando parece que elas podem ser resolvidas, isso requer muito esforço normalmente, mas é um dom natural. Talvez eu tenha sorte e ele não me humilhe e mostre a caixa para toda a cidade, apenas termine por eu ser totalmente louca e cai nas garras de Melissa Vander, minha inimiga mortal.
Eu vou contar minha historia de amor com Melissa Vander...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Mil em uma (Parte 1)



Eu entrei em casa e subi as escadas correndo pro meu quarto. A mochila estava lá, exatamente como eu deixei, então porque eu simplesmente não achava? Eu sei que não sou a pessoa mais organizada do mundo, mas eu mereço um pouco de piedade divida já que eu tenho tantas coisas na minha cabeça nesse momento!
Afinal de contas, eu estava em uma espécie rara de crise com o meu namorado Luck excepcionalmente gostoso e romântico, como eu podia brigar com ele? Ele me mandava mensagens no meu celular, que eu nunca podia responder por causa da minha constante falta de créditos, dizendo que nos éramos os casal mais romântico do mundo! Essa era justamente a minha crise, como um casal tão apaixonado como nos dois, perfeito um para o outro, podíamos estar esfriando?
Fora isso eu ainda tinha que me preocupar com o vestibular, que é uma coisa horripilante, eu tenho que admitir que todo mundo eu conheça estava passando pelo mesmo problema, mas quer saber, parecia que nas minhas costas era BEM pior. Principalmente pelo fato de que, han, eu não teria nem onde morar no ano seguinte já que o meu pai nunca me da certeza se me sustentara em outra cidade ou eu terei que me prostituir o que eu ACHO que o meu namorado, se eu conseguir manter até lá, não vai apoiar.
Eu ainda tinha que me preocupar com o fato de mesmo estar fazendo ginástica, parece que eu tenho um buraco negro muito fundo no meu olho, porque ele e tão grande que eu penso em comida 12 horas por dia as outras 12 eu estou tendo crises existenciais como essa.
No final das contas o meu livro não estava ali perto da minha mochila onde eu tinha deixado, ah sim, livros, eles são com certeza a solução pra todos os problemas do mundo, ta talvez eu esteja exagerando, mas era pelo menos pra todos os meus problemas. Eu esqueço que toda a minha vida esteja desmoronando em perguntas sem respostas quando estou com aquele aglomerado de papel em minhas mãos. Ate mesmo quando eu leio historias sobre tipo, meninas fúteis com crises e namorados gatos, populares que acabam em bailes, e o tipo de coisa que me fazem pensar que a vida podia ser fácil, já que a minha não e, eu vivo a vida delas por algumas horas.
Eu continuei procurando quando o telefone tocou, AI MEU DEUS, ele tocou. De repente eu me lembrei porque tinha vindo pra casa correndo, era pra procurar meu livro, mas eu o queria pro algum motivo, para conter alguma ansiedade (eles funcionam como antidepressivos, sem eles eu já teria me atirado em um buraco fundo como o do meu olho gordo). AH SIM, eu havia matado aula pra comprar coisas pro meu namorado e apimentar o namoro, ignorando o fato de que, bem eu moro numa cidade com 30 mil habitantes e parece que todos se conhecem, a diretora da minha escola vai a missa ou ao mesmo banco que a minha mãe e pro meu azar elas ficaram amiguinhas. Isso implica que ela, com certeza, ia ligar, ou melhor, ela estava ligando para me ferrar. Eu corri mais do que as minhas pernas problemáticas, por causa de um joelho ruim, poderiam suportar e cheguei à cozinha bem a tempo de ver a minha mãe atendendo.
-Anita querida! Pode falar, temos que marcar mais uma vez o nosso papo no salão! – gritou ela de empolgação, ela era tão diferente de mim.
Ah era de lá que elas se conheciam, não importa todo mundo era amigo nessa cidade e bem a Senhora Vegans não era exatamente minha amiga então nesse momento ela estava me ferrando, talvez, pelo resto da minha vida. Eu já podia ouvir minha mãe gritando meu nome inteiro -Anna Tereza Thompson Allen- me fazendo estremecer, porque aqueles dois nomes do meio eram simplesmente mais um problema na minha vida, era tão horrível, porque não apenas Anna Allen, simples assim, ao invés me aterrorizar com o nome da minha avó Tereza Thompson, hurg. Do jeito que eu vou me encrencar eu só espero que, bem, abreviem meu nome como eu gosto no caixão.

terça-feira, 10 de março de 2009

Laço


Paula Cosentino

Beijos molhados,
Olhar enfeitiçado.
Corpo Dominante,
Voz Ofegante.

Grita meu nome,
Diz que me ama.
Sente saudade.
Nosso Amor é verdade.

Um anjo endiabrado.
Um ladrão autorizado.
O anjo me fascina,
O ladrão me domina.

Fale o que quiser,
Pense o que eu quero.
Sinta sede de mim,
A minha fome é de você.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Paradoxo


Deitada na cama, o livro prendia cada segundo da minha atenção. Nos últimos temos eu me distraia com facilidade, nada mais fazia com que eu me concentrasse por completo, menos esse livro, a historia me amarrava e fazia eu me sentir parte dela, era um jeito de não pensar nele. Eu queria falar com, ouvir a voz dele não podia, parecia que quando estávamos longe, ele não era real, era só um sonho. Eu joguei o livro no chão, porque eu não parava de pensar naquela pessoa tão... tão... ah... ele era tudo pra mim. Lembrei-me que quando tínhamos estado juntos de manha, e eu o havia visto de manha mas não tinha certeza quando o veria de novo, isso me sufocava, ele havia deixado uma marca em mim, não uma marca ruim ou algo assim, era uma marca de namorados. Corri ate o banheiro com a esperança de que ainda estivesse lá, não podia ter sido um sonho que estivéssemos rolando juntos ali há algumas horas. Estava lá, como eu imaginei, mas não foi a felicidade que me tomou no mesmo segundo, foi uma pontada que misturava alegria e tristeza. Ele não estava mais ali e não tinha nada que eu pudesse fazer a não ser lembrar de seu cheiro, do peso do seu corpo, de cada curva que eu acariciava em seu peito, das linhas no seu rosto, pra mim, perfeito. A saudade me corroia como veneno e a perturbação feliz de que ele esteve ali me tocando, nesse momento eu era uma antítese, um paradoxo apaixonado.