segunda-feira, 2 de março de 2009

Paradoxo


Deitada na cama, o livro prendia cada segundo da minha atenção. Nos últimos temos eu me distraia com facilidade, nada mais fazia com que eu me concentrasse por completo, menos esse livro, a historia me amarrava e fazia eu me sentir parte dela, era um jeito de não pensar nele. Eu queria falar com, ouvir a voz dele não podia, parecia que quando estávamos longe, ele não era real, era só um sonho. Eu joguei o livro no chão, porque eu não parava de pensar naquela pessoa tão... tão... ah... ele era tudo pra mim. Lembrei-me que quando tínhamos estado juntos de manha, e eu o havia visto de manha mas não tinha certeza quando o veria de novo, isso me sufocava, ele havia deixado uma marca em mim, não uma marca ruim ou algo assim, era uma marca de namorados. Corri ate o banheiro com a esperança de que ainda estivesse lá, não podia ter sido um sonho que estivéssemos rolando juntos ali há algumas horas. Estava lá, como eu imaginei, mas não foi a felicidade que me tomou no mesmo segundo, foi uma pontada que misturava alegria e tristeza. Ele não estava mais ali e não tinha nada que eu pudesse fazer a não ser lembrar de seu cheiro, do peso do seu corpo, de cada curva que eu acariciava em seu peito, das linhas no seu rosto, pra mim, perfeito. A saudade me corroia como veneno e a perturbação feliz de que ele esteve ali me tocando, nesse momento eu era uma antítese, um paradoxo apaixonado.

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