quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Os três assuntos proibidos


Quando se está em uma roda de amigos, não interessa se na praia, em um churrasco ou numa reunião de trabalho, sempre tem alguém que está bebendo sangue para se misturar ao álcool nas veias, e é sempre esse que cita o assunto que da briga. A discussão começa quando o indivíduo alterado se recorda de algo que leu ou viu nesse dia sobre: política, futebol ou religião, e segue o fato com um comentário altamente construtivo do tipo: “esses padres são uns filhos da puta mesmo, não querem que todo mundo use camisinha pra pegar AIDS, se eles não podem fazer sexo, querem que todo mundo morra!”, “O flamengo tem uma zaga excepcional, eu sei que nunca vai ser rebaixado porque é o melhor time do mundo” e a ultima e não menos provocativa: “Eu votei no Lula, só que eu achava que ele podia deixar o governo pelo menos nota nove né?”. Os assuntos proibidos são proibidos porque não existe maturidade intelectual, e não existe ego que suporte que o contraio de suas idéias sejam estabelecidas. As discussões não são, se você perceber, porque uma pessoa quer que sua idéia prevaleça, na maioria dos casos, a pessoa defende seus ideais para ela mesma não se sentir enganada, errada. Imagine que você tenha que admitir em meio a colegas, familiares ou até desconhecidos que seu time realmente não jogou nada esse ano, que tudo que aconteceu foi merecido, que o rebaixamento era o melhor lugar pra você, NENHUM torcedor de verdade deixa que sua auto-estima seja pisada, não quer que as pessoas a sua voltem virem a casaca, ou falem que o título brasileiro era perfeito pra você, só quer que ninguém diga: fracassado. A política muitas vezes decidida no soco, podia ser resolvida com uma analise sistemática do governo, sem as teorias mirabolantes colocadas na mesa, tipo: “ Se o JURANCINTO DA PARAIBA não tivesse se aliado ao...”, cada um tem sua idéia política, mas vivemos numa democracia, hipotética, mas vivemos, e temos a obrigação de aceitar a opinião alheia. As religiões, eu já escrevi sobre elas uma vez, mas acho que não se deve discutir nada disso em lugar nenhum, porque uma coisa todos tem em comum, representa o sagrado. Por fim posso concluir que TODOS os barracos nos levam ao sobrenome de todo o homem: insegurança.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O sistema interno

Perguntar é para os sábios, só pergunta quem tem vontade de saber o que não sabe quem não pergunta não busca o conhecimento, este é o verdadeiro ignorante. A maioria das pessoas tem medo de perguntar, ou melhor, vergonha, como se o “não saber” fosse condenável, e não o desejo do conhecimento admirável! Sou a favor de quem tem vergonha de perguntar a alguém, pergunte a alguma coisa, aos livros, à internet, a lista do supermercado, mas nunca fazer ou falar nada que não tem certeza. Já pensou quanta coisa não teria acontecido se pessoas não tivessem dúvidas? Quantas situações você tomou conhecimento pela pergunta de alguém. Perguntar é uma arte, a arte de questionar sem agressividade, de colocar em seqüência perguntas sugestivas que levam o interrogado se interrogar? Porque eu estaria escrevendo sobre como é legal você “buscar a verdade” nas situações da vida? Isso você devia me perguntar, mas eu já me faço entender, tenho medo pela minha geração. As pessoas a minha volta se envolvem e fofoca, e fofoca é, nada mais nada menos que, a verdade distorcida, histórias mal contadas que difamam, magoam e ninguém se dá ao trabalho de perguntar ao envolvido o que realmente houve. As pessoas não se conhecem de verdade, julgam pelo Orkut, as pessoas não buscam mais entender a mente do outro, ver sua posição sobre coisas bobas, só julgam, massacram, criticam. A geração mais carente de todas, aquela que se declara, se entrega a amizades semanais, é assim porque não conhece o que é ser um ser humano, o que é dividir um medo com um amigo, o que é ir além de fronteiras cibernéticas e alcançar as fronteiras emocionais, captar no sistema o verdadeiro sentimento.

Receita do feriado em família


Ingredientes:

- Uma matriarca histérica viciada em produção excessiva de alimentos
- Um patriarca tranqüilo que está CAGANDO pra tudo que ocorre a sua volta
- Um tio que vem de longe e bebe todas
- Três crianças pequenas
- Um cachorro
- Cinco adolescentes (um deles acabou de ganhar um carro)
- Uma tia gorda odiada
- Uma empregada mal-humorada

Modo de preparo:

Todos são acordados às sete horas da manha com a matriarca gritando com a pobre serviçal algo sobre bolinhos e camarão com um nome que ninguém é capaz de assimilar. A fila para o banheiro é enorme e na sua vez o cheiro está maravilhoso, você procura o culpado com os olhos e encontra o seu cofrinho agachado colocando uma música, Tio Francisco. O “tio que vem de longe e bebe todas” chega com um copo de cerveja na mão, sua mulher aperta sua bochecha e você acha que não vai mais conseguir fechar a boca nas próximas duas semanas. Durante o almoço, em meio ao discurso da “tia gorda totalmente odiada” sobre como é bonito ver a família uma (porque ela usa essa palavra?),l as crianças amarram um fogueteiro ao rabo do cachorro sai voando, arranca a toalha, derruba tudo por cima da empregada que se retira chorando. Quando a matriarca começa o escândalo, os cinco adolescentes que inclui o primo que ganhou o carro, sua prima ALTAMENTE gostosa com um decote mais gostoso que ela, seu primo gordo e zuado, você e é claro seu primo sequelado e ALTAMENTE perdido, se retiram em direção ao carro semi-novo na garagem.

Resumo da receita:
Você quebrou o pé quando pulou do carro no momento em que ele ia DIRETO na árvore do condomínio, sua prima gostosa ficou sem blusa, sua avó está dopada roncando, seu tio bêbado canta no karaokê, seu primo está sem carro, seu primo sequelado fuma um baseado com a empregada, seu avô lê o jornal, as crianças estão mordidas e sangrando devido a revolta do cachorro, seu primo gordo foi visto dormindo no jornal do cachorro, a tia gorda chora porque... porque ela sempre chora, e você está ai lendo exatamente o que acontece na sua casa. AAAAH A FAMÍLIA FELIZ!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

A hora do "Adeus"


Texto baseado no poema "O bicho" de Manuel Bandeira



Passei a noite toda ansioso, mordia a gola da blusa como fazia sempre que estava muito, muito nervoso mesmo. O motivo nem eu mesmo sabia ao certo, o que eu sabia era que meu estomago nunca falhava, ele sempre ficava como se umas mil borboletas estivesse voando dentro dele quando era algo diferente se aproximando. As mil borboletas estavam certas, o caminhão que chegara ao lixão naquela noite tinha AQUELE aroma, aquele perfume que me deixava louco!
Como meu nariz tinha me confirmado o lixo estava cheio, lotado com restos de comida, o que significava que pela primeira vez um uma semana minhas amigas, dor e fome, até ai já parte de mim, iam me dar uma trégua, me deixar um pouco sozinho. Agora eu podia parar de ouvir aquele barulho que vinha de dentro e virava dor na boa do estômago. Era a hora da busca.
Subi no topo de uma pilha de lixo e comecei a procurar, bem devagar, porque se tem uma coisa que me deixa pra lá de chateado é achar um troço gosto de comer e na pressa esfarelar tudo! Latas, mordia, o barulho ainda estava lá. Sabão, mordia, mas a dor ainda estava lá. Borracha, mordia a fome não soltava a minha mão. Papel, mordia, a dor apertava o meu braço. Passaram horas, a dor tomava conta do meu corpo, mas porque eu ainda sentia o cheiro? Olhava em volta e não via nada, lá estava eu sozinho. Sozinho, sozinho não, as meninas não me largam nunca. Senti o cheiro diferente, lá longe tinha um latão, tão grande e verde. Corri em direção mais rápido do que aqueles carros que passam na televisão dos restaurantes aos domingos. Lá estavam eles, os pedaços mais saborosos desperdiçados por cada uma dessas famílias. Pegava aos montes e metia tudo na boca de uma vez só. Nem me importava com o homem que de longe olhava, ele podia querer um pouco, ele que viesse pegar, a dor e a fome estava indo embora e eu só saberia dizer “Adeus”.

Aproveitar enquanto é tempo


Ele perguntou: “Jura por Deus?”, eu respondi: “Juro, mas eu não acredito em Deus!”. Tão agressivo falar isso né? Parece que você menospreza o que 50% das pessoas vivem para idolatrar, mas a minha dúvida é se elas acreditam porque a fé chama ou se é mais uma imposição da sociedade. Os jovens a minha volta se dividem em: “Sou ateu porque é moda”, “Sou católico, mas não sei onde é a Igreja mais perto da minha casa” e a ultima, mas não menos importante “Sou de outra religião porque ser diferente é cool”. Talvez eu esteja generalizando, até porque eu sou um a parte, a pergunta é porque eu não sigo um padrão globalizado como todos os outros robôs que me rodeiam? A sociedade não reconhece, mas o homem é um ser fraco, um ser que desde sempre tenta explicar sua origem, como não consegue o seu subconsciente cria a idéia de algo grandioso e superior que possa ter gerado o que ele não explica, seria uma criação fantástica considerada plausível para contar para crianças, mas em meio disso, se afunda e se envolve. Alguns chamam essa força de Shiva, Alá, Deus, energia, supremacia, cosmos, ou seja, lá o que for, mas resumindo, todas as religiões são a mesma coisa, todas tentam explicar o que não entra na nossa mente. Não critico ninguém por isso, acho até que quem sofre mais preconceito é o ateu, o cético, o inrotulado, mas a nossa espécie podia tentar parar de explicar o passado, o que não cabe na sua simplória existência e viver o momento, aproveitar enquanto é tempo, porque se tem algo comprovado e indiscutível é que essa consciência, nesse corpo, nessa posição a gente só tem uma vez, em uma encarnação. Não digo que o certo é esquecer o que nos trouxe aqui, mas o legal seria pensar o “porque” e isso a gente só descobre se lançando na vida, dando as mãos ao destino, inquestionavelmente existente.

Quem tem medo de mudança?


Ah o final de ano, aqueles letreiros enormes desejando paz, sucesso e MUITAS, MUITAS dívidas com um bando de
promoções tentadoras para pagar alguma coisa ,que você já tem, em 80 mil vezes até o dia de sua morte sem juros, imperdível
não é mesmo? A frase que a gente mais houve é aquela que ninguém aguenta mais falar, mas a gente se pergunta pra que fala
se ninguém acredita: "ano que vem é um ano de mudanças!". A coisa toda envolve um fato: a gente nunca ta satisfeito com nada,
e acredita que porque acorda em um novo ano, "PUFT!" todos os problemas financeiros, doença, chifre da mulher, reprovação,
chefe isuportável e a situação política do país vão se tornar o que a sociedade utópica propõe.
Ninguém, absolutamente ninguém, quer largar o cotidiano mónotono para se aventurar com novas experiencias, temos dificuldades em
aceitar mudanças, tanto que desejamos elas todo o ano, e elas nunca vem porque a gente nao sabe se entregar as oportunidades. Arrumando as fotos aqui
em casa eu achei uma sacola ENORME, eu digo, bem maior do que aquelas que a gente ve as avós trazendo da feira, e eu, obviamente, fui futucar, pra que?
Pra ganha uma hora e meia de choro, eram as minhas fotos no colégio, desde a primeira série, e tinha de tudo lá, festa junina, doação de natal, representante de turma, professores, formatura de ensino fundamental, TUDO. Ai que a gente se toca que viveu aquela instituição a vida toda, que a gente nao conhece nada diferente daquilo,
que você ama aquilo porque nao tem outra coisa pra amar. Quando anunciei pros intimos que a minha decisao era sair da escola eu senti todos aqueles olhares de pena: "você vai largar o seu mundo?". O medo de todo mundo é largar o antigo, porque vontade de novidade, nao falta. A incerteza é o que persegue o homem desde o seu primeiro momento de existencia, que a primeira criatura teve que escolher com qual pé dar o primeiro passo, ela persegue a gente, tira o sono, causa dor, anciedade. Toda essa história de "medo de mudança irrustido" deu origem as tradições, quem quebra as tradições é banido socialmente, quem inova é morto, quem questiona é rebelde, e quem deseja a mudança no ano novo, somos nós.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Eu aqui! você ai?


Lá estou eu voltando de viagem, descendo a tão famosa Ponte Rio Niterói no sentido Rio, quando me deparo com o centro da cidade,
O centro da cidade é realmente MARAVILHOSO, por mais sujo, e nao receptivo, eu me sinto em casa. Observava detalhadamente uns
prédios antigos todos pixados, quando sem querer me deparo com o meu reflexo em um predio gigantesco todo espelhado, ali mesmo encostado
no anterior. Constraste chocante esse né? então resolvi olhar pra frente e observar um todo, e o que me deixou realmente embasbacada é que aquela
cena se reptia por todo o horizonte a minha frente, em meio a predios tombados pelo patrimonio, janelas caindo, praças antigas, existem prédios novaiorquinos
e letreiros iluminados, moderníssimos! O meu estomago se revirou na hora, uma frustração bateu e eu percebi que nao era a cena com a qual me deparava que
o meu organismo tava reagindo, era o que aquilo me lembrava. Eu percebi que aqueles prédios eramos nós, o contraste de uma multidão é exatamente aquilo,
pessoas conservadoras e outras adeptas a novas linhas vivendo lado a lado, cruzando o caminho umas das outras do jeito mais indiferente possível. O cara que projetou aquele prédio ali, nao se preocupou o quanto aquilo se destoava do resto, ele estava imposto a impor a nova tendencia, a pessoa que tombou aquele prédio se preocupa
em mater memórias, ou as vezes nao pretende gastar com obras públicas. O individualismo é retratado até nas paisagens e nós enchemos o peito pra apelidar o que quer que seja de nação!

O primo está chegando!


Todo mundo tem um primo distante que mora do outro lado da cidade/pais/mundo, ou que mora no mesmo bairro
mas a gente nem lembra dele o ano todo, porque simplismnte nao tem nada nele que interesse
até o fim do ano. O primo é sempre muito bonito, e tem uma fama de tradicional e bondoso,
no final do ano aqui em casa fica todo mundo piradinho porque o primo vem pra cá todo dia 25. Ai um mês antes TODO mundo, arruma uma graninha
pra comprar roupa nova, e uns presentes pra quem acha que é importante na nossa vida, e não necessariamente pra quem a gente acha importante,
só porque o primo traz a mensagem de que uniao felicidade tem que estar presentes em casa. Minha mãe faz umas comidas esquesitas que a vovó diz que o primo
gosta, mas a verdade é que ninguém come aquilo mesmo porque gosta, se não a gente fazia mais vezes duarante o ano né? E tem uma mania esquisita de montar uma árvore cheia de bonequinhos porque "faz a casa mais alegre", só que depois quem desmonta é a pobezinha da Janette que nem ta aqui quando o primo chega, e sempre atrasa o meu almoço. Pra chegada do primo vem um monte de parente que eu nem conheço, e a Tia Clovis, que eu sempre achei que é nome de homem. Ninguém gosta da Tia Clovis, mas como ela também puxa uma sardinha pro primo,ela vem e finge que comprou os presentes que a gente sabe que ela achou em casa e empacotou. A coisa mais estranha da vinda do primo é que ele fica aqui um dia, mas todo mundo nao para de falar nisso num segundo, e começa com um papo de que mesmo que o ano tenha sido sofrido (sofrido??? mamae sempre diz pra eu nao falar palavrão, mas SOFRIDO É O CACETE, meu pai passa 350 dias reclamando de que a vida é uma DESGRAÇA) a gente vai superar porque o primo traz um clima de paz. Acho incrível a capacidade que as pessoas tem de fingir que nada aconteceu só pra ter uma noite de paz, e colocam o pobre do primo Natal no meio, ele nem sabe o caos que é!