segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A arte do saber


Primeiro dia de aula, sentada eu olhava pros lados sem conhecer ninguém. Um professor moreno e forte entra na sala e me chama:
“Aluna nova né ?”– corei e respondi timidamente – ”Sim, sou eu”
Ele me tratou com frieza, e disse que estaria ali apenas pra me assessorar, que seria apenas meu professor, um amigo.
Na primeira aula ele me ensinou a valorizar palavras que antes eu sequer prestava atenção, “amizade”, “cumplicidade” e “confiança” passaram de palavras pra ardentes lemas de vida. O tempo passava e aquelas aulas me fascinavam, cada dia eu aprendia mais e mais e admirava aquele homem de um jeito que me sentia enfeitiçada.
Um dia eu aceitei seu convite para uma aula intensiva, ele disse que eu já estava pronta, ele confiava em mim para me ensinar novas lições. Nesse dia aprendi o que era “desejo”, e essa palavra tomou conta de mim. Ele misturou todas as outras palavras que tinha me ensinado dentro de mim, fiquei confusa e perguntei por que esta ultima palavra havia me confundido tanto. Com a ansiedade que eu nunca tinha visto nos olhos dele ele me disse: “Não sei responder, você deve estudá-las e entendê-las novamente, esqueça a nova palavra.”
Tempos depois eu descobri por mim mesma que a junto com a palavra proibida existiam outras de mesma família: “paixão”, “ardência”... E que essas palavras me levavam a um sentimento novo: loucura.
Hoje, aprendo uma palavra a cada dia, o nome disso é “surpresa”. Meu mestre me guia, e eu me deixo levar de olhos fechados, com ele eu aprendo e desaprendo, vivo perigosamente e muito segura. Minha matéria agora são as figuras de linguagem e eu aprendi que viver com o meu mestre é a maior antítese possível. Meu professor diz que viver numa antítese é saber o que é amar, e essa é só mais uma lição.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

No quarto ao lado

Heróis não têm fantasia, capa ou super poderes. Heróis não têm dupla identidade ou fogem da polícia. Heróis não têm nomes de animais. Heróis, pra mim, têm nomes comuns, olhar triste e calo nas mãos. Heróis pra mídia têm corpo sarado ou muito dinheiro. É ai que me pergunto se esses são realmente heróis.
Pessoas que merecem créditos de verdade são aqueles que se arriscam todos os dias para servir aos outros ou até mesmo sua família, que se expõe a condições deploráveis e muitas vezes abandonam a sua dignidade para fazer a quem amam feliz. Minha mãe, meu pai e meus avós são maiores exemplos de heróis pra mim, todas as vezes que eu estive triste ou precisei se alguém foram eles que abriram mão de sua paz para dar a mim um sorriso.
Pedreiros que ficam pendurados em andaimes de arranha-céus para levar o pão pra casa, homens que andam quilômetros para chegar ao trabalho e dar seu dinheiro da passagem para o filho ir pra escola. Heróis verdadeiros são médicos que salvam vidas, ou que tem a coragem de admitir que não conseguiram. Homens nobres, humildes e honestos são melhores que homens que vestem capas vermelhas e carregam um “S” no peito.
Não sei por que quando ligo a TV não são esses que aparecem dando entrevistas. Quem recebe a adoração e admiração de multidões são aqueles que têm um corpo bonito ou tem destaque na novela das oito. Homens que se dizem políticos carregando crianças no colo quando na verdade só querem posar para foto. Modelos e artistas ganham capa de revistas, mas não são esse que sabem o verdadeiro significado de superação.
A mídia fez o seu conceito de herói e nele não precisa ser verdadeiramente heróico precisam só pensar que você é. Mesmo com essa nova idéia, prefiro admirar quem merece. O homem que pega na enxada e trabalha no sol, homem que defende uma causa regional, homem que defende a sua religião, homem que luta contra o preconceito, homem que adora a sua nação, esse e aquele que dorme no quarto ao lado são o que posso chamar de herói.

Texto : Lucas Sant´Anna

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Os demônios do retrato


Todo mundo é obrigado a passar por mudanças. Mas quando você não mudou e o ambiente te enxerga diferente do que realmente é?

Tudo começou com a mudança, sair de um mundo a outro, separados por apenas algumas quadras saiu do meio dos santos e foi conviver com os demônios, que no início pareciam apenas humanos. O de antes, um lugar onde andava sorrindo para todos, não que todos a amassem, não amavam, mas não sentia ódio, e os que gostavam, como gostavam.
Não é difícil de conversar, simpática e engraçadinha, mas esse ano ela tinha uma missão. Teve um castigo no ano anterior por ser a rainha do social, além dos finais de semana batia aquele papo de sete a meio dia. Era a mesma pessoa que saiu do céu atravessou a rua e entrou no covil. A mesma menina boba, mandona, engraçada, brincalhona, ela só tinha uma diferença, tinha que se dedicar agora.
O tempo foi passando e ela amava tudo aquilo, amava o fato de se sentir finalmente livre. O que ela não sabia é que estava algemada, e a corda ainda não tinha acabado, quando finalmente se sentiu em casa, as mascaras caíram e os demônios se mostraram. Sem perceber pintaram seu retrato na parede com óculos fundo de garrafa e sem dentes, além dos olhos juntos e a sobrancelha levantada, um mostro. A menina que até então era feliz e não tinha vergonha de ser ela mesma agora se esconde, ela vive a imagem da parede.
Nenhum diabinho tentou conhecê-la simplesmente quiseram assim. Pra eles ela É a imagem da parede. No final esquecem que ela pode não SER aquilo que PARECE. Agora está sozinha num canto olhando o quadro e querendo saber como ela pousou para aquela foto se ela não é assim, passa a mão no seu rosto e se pergunta por que eles não podem ver o que ela vê.
Os santos estão longe, o inferno a algemou. Dúvida, decepção, tristeza, angústia, depressão, escuridão. Fim da Linha.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Alguém e Mim


Alguém não sabe que é tudo pra Mim. Mim é romantico, explosivo, se entrega de cabeça na conquista. Alguém fica se escondendo, desconversando e se perde nos seus próprios pensamentos. Mim já cansou de se arriscar, uma vez deu com a cara no muro, procurnaod cegamente por Alguém. Alguém sabe que no fundo, se importa com Mim, mas é mais fácil se esconder, e esperar tudo acabar. Mim não sabe mais o que fazer, faz de tudo para ver Alguém sorrir, e Alguém faz Mim sorrir só por ser Alguém. Mim quer que Alguém tenha uma certeza. A certeza de que se Alguém não tiver onde se apoiar, se estiver escorregando, pode segurar a mão de Mim. Alguém e mim juntos são indestrutiveis. Porque Alguém ama a Mim e esse nem se fala.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Redoxon


Eu fui criada abraçando e rindo com as melhores pessoas do mundo e não dei valor. Dei patada quando não devia, discuti quando era desnecessario, zuei quando era possivel. Eu nao sabia que eles fariam tanta falta, que seria pra mim fundamental poder estar ao lado deles. Tantas frases vagas,sao uma tentativa frustrada de mostrar o vazio que eu sinto agora. Fico aqui pensando, eu apensa mudei de escola, sai do cotidiano dessas pessoas.
Nao mudei de cidade, de nome, de endereço, apenas me afastei um pouco, mudei a rotina e pronto, um elo tao forte , um sustento a mim se desfez, que nem redoxon quando a gente coloca na água sabe? Só que como o redoxon ficam uns pedaçinhos boiando, e quando voce toma é o gosto deles que voce sente mais forte. Pode parecer banalização, mas eu sei que quando estiver com eles vai ser um gosto mais forte, e eu vou fazer eles rirem como no ano passado.
Faltam dois anos pra cada um de nós seguir o seu caminho , tomar rumos diferentes e só mandar noticias pelo orkut. A maoria deles nao sabe a falta que faz, alguns imaginam, mas seguem a sua vida normalmente e cada um deles é como um pedaçinho de mim, e se eu perde-los de vez, se eu deixar o redoxon dissolver por completo, serei sem efeito, sem goto e sem graça.
O texto é curto e sem maiores significados. Foi com eles que eu aprendi o que é uma bergamota, com eles eu cantei a musica da Nadir, com eles fui representante de turma, com eles brinquei de Rei Leao. Com eles aprendi o que é presença e com eles aprendi do pior jeio o que é saudades.

Homenagem especial a alguns nomes que eu considero especiais, e as desculpas para os que aqui eu nao falar:

Pedro Solti
Paula Beer
Carolina Cruz
Paula Chaves
Carolina Caminha
Paula Chaves
Nathalie Rose
Rebecca Nogueira

Pessoas super especiais com quem venho perdendo contato mas pretendo sentir o gosto forte para sempre, mesmo que o pra sempre, sempre acabe.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Não era nada.


Você já tentou se por no lugar de alguém certo? Todo mundo, que não é pré-potente o suficiente pra achar que seu ponto de vista é único, já se pos no lugar de alguém pra ver os dois lados de uma situação. E quando você não consegue, nem imagina como seja o outro lado?
Nas minhas andanças pelo mundo, vagas andanças, ou melhor, voltando do colégio pra casa eu observo muita coisa, quando não estou autistando pensando nos meus problemas pessoas, ou no meu mundo limitado eu olho em volta e tento imaginar de onde a pessoa vem e o que ela vai fazer. A pessoa que me chamou a atenção hoje não era médica, não era com certeza rica, não era com certeza pobre, não era gari, não era nada. A pessoa que cruzou o meu olhar hoje não existe, não é registrada, não é amada, desejada, não é feliz. Lá estava ele, um menino de uns seis anos de sofrimento e fome, deitado num papelão fazendo um par de chinelos velhos de travesseiro, marcas no corpo, sujeira no rosto, e o que na cabeça? Quais são os conceitos de certo e errado? O que ele pensa o que ele vive? Ele com certeza não tem conceito de lar, não sabe o que é amar, respeitar, aprendeu a dizer obrigado na marra e o, ”por favor,” necessidade, ele é menino de rua, e na rua quais são as leis? Não consegui me colocar no lugar dele, não sei de nada, o que me faz pensar que não posso então julga-lo, não posso passar por ele e sentir pena, pena seria se eu soubesse que ele é infeliz, não posso passar por ele e sentir nojo, nojo teria se eu soubesse que ele faz aquilo por que quer. É ai que a gente aprende que aquela velha frase de Sócrates nos cabe TÃO bem: “só sei que nada sei”. Nada sei sobre ninguém, ninguém sabe nada sobre mim. E isso é só um reflexo estúpido da sociedade egocêntrica, e preconceituosa, a qual posso criticar, pois além de entende-la, sou parte dela. E você, pode julgar alguém?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Você

Quando tudo vai contra o que você sempre evitou, contra o que você sempre negou, quando as coisas acontecem como todos haviam previsto você faz o que?
Eu me afundei no meio disso tudo, não sei mais onde começa e onde termina o meu amor, penso que se tornou infinitamente mais infinito, penso que com o amor ganhei o desejo e a paixão, penso que se tornou um caldeirão.
Não sei mais como agir, sei que é tão triste me tornar um objeto, mas são cinco minutos que eu penso que sou amada, que me sinto deseja por quem eu amo atordoada. Cegamente eu me entreguei, perdi os limites, joguei meu valor fora por algo que não posso controlar, esse é o preço que eu pago por amar. Fui aos céus do seu lado, uma princesa em um conto de fadas, mas foi só por um momento, agora tudo acabou. O que eu tenho são chances, é migalha de me lembrar que a gente podia dar certo, ser tudo correto. O que eu mais prezo continua não vai se perder, mas está afundado no meio do que eu sinto por você. Negada, é eu tenho talento pra tal, eu tenho um momento que define que nada vai dar certo. Se nem você, quem seria? Se não eu, quem amaria assim? Assim como?Incondicionalmente, loucamente, perdidamente, infantilmente, ardentemente, absurdamente, internamente, secretamente, cansativamente.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O que você pensa antes de dormir?



Enconstar a cabeça no trevesseiro é o mesmo que se entregar aos seus pensamentos,
ali sem ter nada pra fazer, a gente acaba passando um filme na nossa cabeça, mas que filme?
Os apaixonados pensam no seu grande amor, no seu futuro. Os timidos pensam no que poderiam
ter feito. Os pilantras no golpe seguinte, ou no andamento do atual. Os estudantes, na prova do vestibulat. Os
aposentados, na fila so INSS. Os que sentem fome, na fome do dia seguinte. Os que moram inclinados, se não
terá bala perdida. As que trabalham no calçadão, não dormem. As grávidas, no dia que vão dar a luz.
Os políticos, esses nao se preocupam. Os homens que não deveriam ter coragem de descansar enquanto a desgraça do
seu governo aocntece lá fora, enquanto um injustiçado passa fome, enquanto parte da população nao pode ler
os anuncios de emprego no jornal. E ai vem pessoas como nós, que quando nao se encaixam em
nenhuma categoria a cima, simplismente não pensam,dormem para se neutralizar do mundo atormentado,
incuberto pela inércia, escuridão.