segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Os demônios do retrato


Todo mundo é obrigado a passar por mudanças. Mas quando você não mudou e o ambiente te enxerga diferente do que realmente é?

Tudo começou com a mudança, sair de um mundo a outro, separados por apenas algumas quadras saiu do meio dos santos e foi conviver com os demônios, que no início pareciam apenas humanos. O de antes, um lugar onde andava sorrindo para todos, não que todos a amassem, não amavam, mas não sentia ódio, e os que gostavam, como gostavam.
Não é difícil de conversar, simpática e engraçadinha, mas esse ano ela tinha uma missão. Teve um castigo no ano anterior por ser a rainha do social, além dos finais de semana batia aquele papo de sete a meio dia. Era a mesma pessoa que saiu do céu atravessou a rua e entrou no covil. A mesma menina boba, mandona, engraçada, brincalhona, ela só tinha uma diferença, tinha que se dedicar agora.
O tempo foi passando e ela amava tudo aquilo, amava o fato de se sentir finalmente livre. O que ela não sabia é que estava algemada, e a corda ainda não tinha acabado, quando finalmente se sentiu em casa, as mascaras caíram e os demônios se mostraram. Sem perceber pintaram seu retrato na parede com óculos fundo de garrafa e sem dentes, além dos olhos juntos e a sobrancelha levantada, um mostro. A menina que até então era feliz e não tinha vergonha de ser ela mesma agora se esconde, ela vive a imagem da parede.
Nenhum diabinho tentou conhecê-la simplesmente quiseram assim. Pra eles ela É a imagem da parede. No final esquecem que ela pode não SER aquilo que PARECE. Agora está sozinha num canto olhando o quadro e querendo saber como ela pousou para aquela foto se ela não é assim, passa a mão no seu rosto e se pergunta por que eles não podem ver o que ela vê.
Os santos estão longe, o inferno a algemou. Dúvida, decepção, tristeza, angústia, depressão, escuridão. Fim da Linha.

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