
Eu entrei em casa e subi as escadas correndo pro meu quarto. A mochila estava lá, exatamente como eu deixei, então porque eu simplesmente não achava? Eu sei que não sou a pessoa mais organizada do mundo, mas eu mereço um pouco de piedade divida já que eu tenho tantas coisas na minha cabeça nesse momento!
Afinal de contas, eu estava em uma espécie rara de crise com o meu namorado Luck excepcionalmente gostoso e romântico, como eu podia brigar com ele? Ele me mandava mensagens no meu celular, que eu nunca podia responder por causa da minha constante falta de créditos, dizendo que nos éramos os casal mais romântico do mundo! Essa era justamente a minha crise, como um casal tão apaixonado como nos dois, perfeito um para o outro, podíamos estar esfriando?
Fora isso eu ainda tinha que me preocupar com o vestibular, que é uma coisa horripilante, eu tenho que admitir que todo mundo eu conheça estava passando pelo mesmo problema, mas quer saber, parecia que nas minhas costas era BEM pior. Principalmente pelo fato de que, han, eu não teria nem onde morar no ano seguinte já que o meu pai nunca me da certeza se me sustentara em outra cidade ou eu terei que me prostituir o que eu ACHO que o meu namorado, se eu conseguir manter até lá, não vai apoiar.
Eu ainda tinha que me preocupar com o fato de mesmo estar fazendo ginástica, parece que eu tenho um buraco negro muito fundo no meu olho, porque ele e tão grande que eu penso em comida 12 horas por dia as outras 12 eu estou tendo crises existenciais como essa.
No final das contas o meu livro não estava ali perto da minha mochila onde eu tinha deixado, ah sim, livros, eles são com certeza a solução pra todos os problemas do mundo, ta talvez eu esteja exagerando, mas era pelo menos pra todos os meus problemas. Eu esqueço que toda a minha vida esteja desmoronando em perguntas sem respostas quando estou com aquele aglomerado de papel em minhas mãos. Ate mesmo quando eu leio historias sobre tipo, meninas fúteis com crises e namorados gatos, populares que acabam em bailes, e o tipo de coisa que me fazem pensar que a vida podia ser fácil, já que a minha não e, eu vivo a vida delas por algumas horas.
Eu continuei procurando quando o telefone tocou, AI MEU DEUS, ele tocou. De repente eu me lembrei porque tinha vindo pra casa correndo, era pra procurar meu livro, mas eu o queria pro algum motivo, para conter alguma ansiedade (eles funcionam como antidepressivos, sem eles eu já teria me atirado em um buraco fundo como o do meu olho gordo). AH SIM, eu havia matado aula pra comprar coisas pro meu namorado e apimentar o namoro, ignorando o fato de que, bem eu moro numa cidade com 30 mil habitantes e parece que todos se conhecem, a diretora da minha escola vai a missa ou ao mesmo banco que a minha mãe e pro meu azar elas ficaram amiguinhas. Isso implica que ela, com certeza, ia ligar, ou melhor, ela estava ligando para me ferrar. Eu corri mais do que as minhas pernas problemáticas, por causa de um joelho ruim, poderiam suportar e cheguei à cozinha bem a tempo de ver a minha mãe atendendo.
-Anita querida! Pode falar, temos que marcar mais uma vez o nosso papo no salão! – gritou ela de empolgação, ela era tão diferente de mim.
Ah era de lá que elas se conheciam, não importa todo mundo era amigo nessa cidade e bem a Senhora Vegans não era exatamente minha amiga então nesse momento ela estava me ferrando, talvez, pelo resto da minha vida. Eu já podia ouvir minha mãe gritando meu nome inteiro -Anna Tereza Thompson Allen- me fazendo estremecer, porque aqueles dois nomes do meio eram simplesmente mais um problema na minha vida, era tão horrível, porque não apenas Anna Allen, simples assim, ao invés me aterrorizar com o nome da minha avó Tereza Thompson, hurg. Do jeito que eu vou me encrencar eu só espero que, bem, abreviem meu nome como eu gosto no caixão.
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