quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

From Paris.






O barulho do trem já me entediava, ouvia todos os dias a mesma trilha sonora. Naquela tarde a trilha sonora ilustrou aquele olhar, aquele olhar que me devorou desde o primeiro momento. Quando jogou o bilhete, eu o peguei com a paixão ardendo entre os dedos, estava fervendo de desejo. A ansiedade me fez correr atrás, até onde ele iria, já tinha me despido com os olhos, o que seria capaz de fazer com as palavras? Segui em frente, se era um jogo eu queria jogar, se era uma dança que fosse a dois. No encontro eu senti medo, será que meu passatempo ia acabar? Se o real acabasse com o virtual como eu passaria meus próximos dias de frio? Mas ele não me decepcionou, pessoalmente foi ainda melhor, os olhos com o brilho da primeira vez, me chamavam pra toca-lo. Eu quis despi-lo ali mesmo e derreter a neve com o calor do meu corpo, mas o jogo tinha que continuar. Os encontros foram recorrentes, eu ficava nervosa com o celular tocando, quando não tocava, queria viver cada minuto desse romance. Enganei-me, preguei uma peça em mim mesma. Achei que me divertia que era só um jogo, mas tinha perdido meu coração. Ele deve tê-lo guardado e não quis me devolver. Fui a casa dele buscar, mas não consegui levantar a voz, eu só queria que ele estivesse do meu lado. Nos amamos. Junto com o coração deixei a razão em sua cama, enrolada nas cobertas. Sei que ficaram lá, mas eu não quero mais pegar. Deixei pra trás e levo na mala só as lembranças e o calor nos meus lábios que ainda não passou.

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