sábado, 15 de maio de 2010

Meu nome é Hilário


O primeiro filho da mãe da minha his´toria foi meu avô. Que tipo de pessoa coloca o nome do filho de Juneval? O meu Pai passou a vida toda sendo chamado de Juju e, é claro, resolveu descontar em mim. Outro sem noção é o cara do cartório em que fui registrado. Um homem chega até você e pergunta: “Devo nomear o meu filho com o meu nome, feio, ou sacanea-lo com um nome sugestivo?”, ai você responde: “Da uma bela sacaneada”. Quem faz isso? Obvio que não foi exatamente assim, mas algo parecido. O fato é, eles deram boas risadas ao me registrar, ainfal, meu nome é Hilário.
Por alguma força do destino, o cara que recebe essa graça, literalmente, das duas uma: Vira um sacana ou é sacaneado. Pela minha leve revolta, percebe-se claramente o que a vida reservou pra mim. O primeiro a tirar uma com a minha cara foi Deus. Não é que o sangue bom me fez o cara MAIS SEM GRAÇA DA FACE DA TERRA? Resumo, sou Hilário e de hilário não tenho nada. Não sei nem contar piada, não sei fazer gracinha e nem bem humorado eu sou. Ca entre nós, que ser humano ficaria de bom humor se todos a sua volta rissem toda vez que chamam seu nome?
A primeira vítima foi minha professora da pré- escola. EEla estava lá, fazendo a chamada, quando deu de cara com o meu nome. Começou a rir, chorar, caiu da cadeira, esmagou uma criança e abriu a testa, e enquanto sangrava, ela ria. Depois de ser retirada por 4 homens da sala, eu ouvia seus risos pelos corredores. Nunca mais a vi.
Meus primeiros amigos no ginásio acreditaram até o dia da formatura que meu nome era apelido, eu nunca desmenti. Até que chegou o maldito dia, fui escolhido pra orador de turma, e tinha tudo pra dar certo. Quando chamaram meu nome na missa, o coroinha, que era da minha sala, percebeu que era nome, e com todos os presentes começou a rir. A diferença é que ele tinha uma vela na mão, que caiu no cabelo da professora de história, que correu e acabou colocando fogo na cortina, que era de um material frágil e colocou fogo na igreja. Não teve mais formatura.
No Ensino médio eu não tinha amigos. Ninguém falava comigo me culpando pelo acidente. Não fui mais a lugar nenhum depois que me apresentei a duas meninas em festas e uma dela foi parar no hospital após vomitar tudo que tinha no seu estomago que fiou remexido com o ataque histérico de risos.
Revoltado, aos 18 anos, resolvi mudar meu nome. Os primeiros três cartórios que procurei me deram a mesma resposta: “Seu nome é genial ! Você não pode muda-lo!”. Cheguei a conclusão que eram todos parentes do filho da mãe que me registrou. No último cartório levaram meu pedido a julgamento. Aconteceu um desastre. Quando o Juiz leu o meu nome , ele mascava chiclete. Engole chiclete, prende na garganta, prejudica a respiração, asfixia e PUF.
Estou sendo acusado de homicídio. Meu crime? Sou Hilário.