Todo mundo fala de amores não correspondidos, amores impossíveis. Queria imaginar porque ninguém repara nas amizades impossíveis, nas amizades que não acontecem. Sabe? Quando por mais que você ache a pessoa legal, interessante e até admire, a amizade não flui, não acontece. Isso é a ilustração perfeita de uma frase já batida: “amigos a gente não faz, reconhece”. Deve ser verdade, porque tem laços que estão na pele, que a gente sente, e quando é assim...
Estava almoçando com um amigo outro dia, um desses que chamamos de diário ambulante, que sambem tudo ou muito sobre você, e nos tocamos de que não nos víamos há seis meses, e pior, que desde o dia em que nos conhecemos nós nos vimos três vezes até aquea tarde. Foi uma surpresa, pra nós dois, chegamos até a buscar na nossa mente outros encontros, nem que casuais como que pra explicar o que estava acontecendo ali. E não tinha como mesmo, a gente simplesmente virou aquilo, sem sentir. Em sete meses éramos amigos de berço.
Vou romantizar as coisas, vou contar uma teoria mística. Quando nós nascemos, nascemos só com um pedacinho da alma, o resto dela é milimetricamente esmiuçado e colocado dentro de outras pessoas. Quando vamos crescendo temos que achar o resto das nossas almas para que nos tornemos o que devemos ser no mundo. Os donos desses pedacinhos são sempre pessoas que nos ensinam algo, amores, professores, mas principalmente os amigos. É, é exatamente isso que sentimos na pele, a alma ardendo e identificando seu complemento ali.
Relendo o que eu escrevi, provavelmente, vou me sentir uma idiota, mas vai fazer sentido. Vai fazer sentido porque eu não tenho como explicar algumas amizades na minha vida, a forma como eu já não me imagino sem algumas pessoas, o modo como cada amigo meu se encaixa em um momento diferente que preciso deles. Quero que vocês, meus amigos, saibam que eu não quero de volta a parte da minha alma que está ai, quero que fiquem com ela porque eu não confio em mais ninguém no mundo para guardá-la, nem em mim mesma.
Um comentário:
Adorei esse texto...sua escrita lembra muito a minha, até no modo de pensar.
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